Agenda sua consulta (66) 98447-7156

Blog

A relação entre o autismo e o atraso na fala

No geral, os bebês se comunicam com seus pais desde as primeiras horas de vida: por meio dos olhares, choros, sorrisos e até os gritinhos. A partir do primeiro ano de idade, as primeiras palavras aparecem, depois as combinações e novos sons vão se tornando mais frequentes, até que pequenas frases começam a ser formadas por volta dos 2 anos de idade.

Mas e quando isso simplesmente não acontece? Quando a fala não ocorre nesse espaço de tempo? Será que ela surgirá com o passar do tempo?

Para uma parcela das crianças, sim: as variações são normais e a fala pode vir a ocorrer naturalmente. Mas o atraso também pode ser um indício de alguns problemas, sendo o autismo um deles.

Quando a criança com atraso na fala é portadora do distúrbio, uma característica comum é que ela tenha atraso ou dificuldade para desenvolver a fala, ou ainda, dificuldade para começar ou manter um diálogo.

É comum também que as crianças autistas desenvolvam a linguagem mais lentamente, e há ainda casos mais graves em que essa habilidade não é desenvolvida e a criança prefere se comunicar exclusivamente por meio de gestos. Além do mais, outros sintomas do autismo associados à comunicação e fala podem ser:

  • Não ajustar a sua visão para olhar objetos quando outras pessoas também estão olhando para ele;
  • Não referir-se a si mesmo corretamente (dizer “você quer suco” quando na verdade quer dizer “eu quero suco”, por exemplo);
  • Repetir trechos ou palavras memorizadas, como músicas de desenhos ou comerciais.

Uma pesquisa conduzida em território americano pela Autism Speaks apontou que 25% das crianças com autismo são não verbais, ou seja, não se comunicam por meio da fala. Porém, estima-se que essa porcentagem seja mais alta em território nacional: até 60% das crianças autistas podem apresentar um grau leve, médio ou grave de atraso ou dificuldade na fala.

Por fim, vale destacar que o atraso na fala também pode estar relacionado a uma infinidade de outras ocorrências, tais como apraxia de fala, dificuldades cognitivas, síndromes genéticas, mutismo seletivo (transtorno psicológico), DEL (Distúrbio Específico de Linguagem) e até mesmo falta de estímulos adequados ou excesso no uso de aparelhos eletrônicos, como televisão, Ipad e celular, por exemplo.

Para fazer o diagnóstico correto e entender o que pode estar causando o atraso na fala os pais devem agendar uma consulta com especialistas do aparelho auditivo, tais como o médico otorrinolaringologista e o fonoaudiologo.

Um lembrete (e apelo) aos pais: quanto antes for realizado o diagnóstico, maior será o avanço do seu filho no tratamento da condição, seja ela autismo ou outra. Por isso, pais, conscientizem-se: a qualquer sinal de atraso na fala, consultem um especialista antes de tomar a ocorrência como “natural”. Lembrem-se que muito mais importante do que o nome do distúrbio em si é que a criança tenha o apoio e suporte necessário para superá-lo!

———————–

Autor: Dr. Henrique Garchet. Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (2009). Especialização médica em Otorrinolaringologia pela Santa Casa de Belo Horizonte (2012) e Fellowship em Rinoplastia Estética e Funcional pela Santa Casa de Belo Horizonte (2014).

Voltar

 

Compartilhe no WhatsApp