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Profissionais da voz: cuidados essenciais

Profissionais da voz: cuidados essenciais

Profissionais da voz são: Advogados, professores, cantores, médicos, palestrantes, vendedores… Esses são apenas alguns entre tantos profissionais que utilizam a voz como um importante (e essencial) instrumento de trabalho. Segundo o Ministério da Saúde, tais públicos necessitam de alguns cuidados mais específicos para garantir a qualidade da voz, além de é claro, evitar o desenvolvimento de problemas na mesma. O motivo você deve imaginar: o uso das cordas vocais com maior frequência.

 

Ainda de acordo com o Ministério, os principais fatores capazes de gerar problemas na voz são os seguintes:

 

  • Uso em excesso ou indevido da voz;
  • Inflamações geradas após episódios de refluxos gastroesofágicos;
  • Infecções superiores respiratórias;
  • Crescimento de nódulos vocais;
  • Doenças neurológicas;
  • Câncer de laringe;
  • Traumas de origem psicológicos.

 

E não vamos longe. A verdade é que para qualquer um de nós passar um dia com rouquidão (mesmo que seja após gritar muito no show da sua banda favorita) já é um motivo e tanto para valorizar a própria voz quando saudável, não é mesmo? E a razão é bem compreensível. A voz é fundamental para a vida humana, já que é por meio dela que conseguimos expressar com clareza nossas emoções, pensamentos e até mesmo nossa personalidade.

 

Os profissionais que trabalham com a voz cantada (no caso dos cantores) ou falada (como atores, professores, repórteres, advogados, políticos e outros), então, nem se fala. Para eles, qualquer problema com a voz pode ser ainda mais significativo, acarretando até mesmo em alguns dias afastados. Dois profissionais da saúde são os responsáveis pelos cuidados com a voz: o médico otorrinolaringologista e o fonoaudiólogo. Eles atuam no sentido de verificar se o profissional está usando a voz de modo adequado, além de fornecer orientações de prevenção e tratar e/ou avaliar patologistas já existentes.

 

Para começar, vamos falar um pouco sobre a “origem” da voz. Você sabe como ela é produzida?

 

A geração da voz ocorre a partir de um som produzido na laringe. É inclusive no interior deste órgão do sistema respiratório que estão localizadas as cordas vocais, no “tubo alongado” do pescoço.

 

Quando respiramos, as cordas vocais se abrem – ou seja, afastam-se entre si. Esse processo permite a entrada e a saída de ar. Quando estimulamos a voz, essas cordas novamente se aproximam. O ar que passa por elas faz com que as pregas vibrem e o som saia. Sendo assim, o ar é fundamental para a produção da voz – e inclusive, podemos chamá-lo de “combustível” para a fonação.

 

O som produzido graças a essa vibração percorre, rapidamente, um caminho no organismo – passando por inúmeras estruturas até sair pela boca e nariz. Sua amplificação, por sua vez, ocorre por meio das cavidades de ressonância, que funcionam como um “alto-falante natural” e são constituídas pela faringe, laringe, nariz e boca.

 

A articulação dos sons é permitida graças aos movimentos dos lábios e língua. Para que os sons sejam claros e inteligíveis, é fundamental que o movimento seja preciso.

 

A frequência natural da voz, por sua vez, é determinada pelo comprimento das pregas vocais. Não à toa, indivíduos com as pregas mais curtas possuem vozes mais agudas do que aqueles com cordas vocais mais longas. É também por isso que as crianças costumam ter vozes mais agudas do que os adultos.

 

Com a puberdade, a voz passa por uma mudança expressiva – causada por alterações nas pregas vocais, que se tornam mais grossas. Essa mudança é facilmente notada em indivíduos do sexo masculino, que ganham uma entonação mais forte na voz nesta fase da vida.

 

A espessura e o comprimento das cordas vocais, por sua vez, é o que vai determinar a extensão vocal dos indivíduos (tanto para homens como para as mulheres).

 

E apesar de termos focalizado a nossa explicação no que acontece dentro da laringe durante a produção da voz, a verdade é que a fonação começa ainda antes – no nosso cérebro, responsável por comandar a entrada e saída de ar, a vibração e o posicionamento das pregas vocais e até mesmo a produção dos sons que geram a fala.

 

Incrível, não é mesmo?

 

Pois é. Mais incrível ainda é que a nossa voz é 100% única: ela consiste em uma expressão sonora integralmente personificada, ou seja, muito semelhante ao que diz respeito à impressão digital. Basicamente, os indivíduos nascem com características anatômicas exclusivas, que geram a identidade vocal a ser usada ao longo da vida.

 

E pensando na importância da voz, separamos na sequência 8 cuidados fundamentais a serem tomados pelos profissionais que a utilizam como instrumento de trabalho.

 

Vamos conferir?

 

Oito cuidados com a voz

 

  1. Água, água e mais água

 

A hidratação é basicamente uma palavra-chave quando o assunto é cuidar bem das cordas vocais. O recomendado é ingerir entre 2 a 3 litros de água por dia, ou então, um copo cheio (de 250 ml) a cada duas horas.

 

Quando estiver fazendo o uso profissional da voz, a recomendação muda um pouco: bebê-la em pequenos goles.

 

Além de hidratar o organismo, a água também favorece a emissão da voz sem tensões – prolongando a sua qualidade.

 

  1. Comer maçã

 

Se não estivesse vindo de um profissional, você provavelmente pensaria que essa dica é balela, não é mesmo?

 

Mas a verdade é que a maçã é uma fruta com ação adstringente, o que significa que a fruta é capaz de “limpar” a garganta, trazendo benefícios como bem-estar e alívio para o trato vocal.

 

  1. Cuidado com os pigarros

 

Quando fazemos muitos pigarros com a meta de melhorarmos a secreção das cordas vocais, na realidade, o efeito pode ser totalmente reverso.

 

Está com vontade de pigarrear ou tossir com força? Compensa-a com o hábito de deglutir seguidamente por algumas vezes ou beber água em pequenos goles.

 

  1. Cigarro? Nem pensar

 

O cigarro é um inimigo “mortal” da voz e também da saúde da laringe. Suas propriedades podem causar irritação e até mesmo a condição de laringite. Com o passar do tempo, a voz tende a se tornar mais grave e perder a potência.

 

Mas qual a razão?

 

Quando em contato com o calor da fumaça, a nicotina, presente em alta concentração no cigarro, é capaz de ressecar as pregas vocais. Esse efeito gera dois problemas: faz com que você fique rouco ou force excessivamente a musculatura para conseguir falar.

 

Os problemas não param por aí: uma série de estudos científicos relacionam a maior incidência de câncer de laringe ao público fumante.

 

  1. Bocejar pode?

 

Não só pode, como deve.

 

O simples hábito de bocejar é capaz de diminuir a tensão corporal como um todo, o que inclui a área do pescoço.

 

O momento de banho também pode se tornar de relaxamento neste sentido. Faça exercícios de movimentação do pescoço e dos ombros quando estiver na presença da água morna.

 

  1. Álcool, só se for com moderação

 

Há quem diga que o álcool aquece a voz. Mas esse não passa de um mito – bem perigoso, a propósito!

 

As bebidas alcoólicas, consumidas em excesso, alteram a qualidade vocal (para piorar) e ainda irritam as vias respiratórias.

 

Após consumi-lo em alta quantidade, podemos até sentir a sensação de relaxamento. Porém, com as cordas vocais anestesiadas, não conseguimos controlar o esforço para falar, o que gera um enorme desgaste para a voz. Portanto, evite!

 

  1. Articule bem

 

Tanto a boa dicção como a leitura labial são importantes para a boa comunicação. O simples hábito de articular bem os lábios na hora de conversar facilita tanto a compreensão do ouvinte como também evita que você precise se esforçar muito (falando mais alto ou gritando, por exemplo) para ser compreendido.

 

  1. Café em excesso? Nem pensar

 

O café também é inimigo quando falamos da saúde das cordas vocais. A cafeína é um dos motivos, mas o outro é a temperatura elevada com a qual a bebida costuma ser consumida.

 

Juntos, esses dois fatores acabam desidratando as cordas vocais (mesmo efeito provocado pelo cigarro). E qual é o problema disso? A tão temida acidez estomacal, que por sua vez, pode levar a episódios de refluxo gastroesofágico e ardência na hora de falar.

 

Há como identificar que a minha voz não está saudável?

 

Sim. De acordo com dados do U.S. Department of Health & Human Services (Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, na tradução literal), algumas questões podem ajudar quando o objetivo é identificar algum problema na saúde da voz. Basicamente, se você responder “sim” a uma ou mais perguntas abaixo, pode ser que você esteja com algum problema de voz:

 

  • Você ficou rouco (a) já tem alguns dias e até agora sua voz não voltou ao normal?
  • Você sente a garganta tensa ou dolorida com frequência?
  • Se você é cantor: sente dificuldade para alcançar notas altas?
  • Falar bem se tornou uma atividade difícil, de alto esforço?
  • Você “pigarreia” várias vezes, com o objetivo de promover uma “limpeza na garganta”?
  • Você vive com a garganta coçando?
  • Ficar rouco (a) é algo que tem acontecido com frequência?

 

Se uma ou mais situações acima forem familiares para você, é hora de marcar uma consulta no médico otorrino. Lembre-se que a grande maioria dos problemas de voz podem ser revertidos após identificação da causa subjacente ou pela própria realização do tratamento.

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Autor: Dr. Henrique Garchet. Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (2009). Especialização médica em Otorrinolaringologia pela Santa Casa de Belo Horizonte (2012) e Fellowship em Rinoplastia Estética e Funcional pela Santa Casa de Belo Horizonte (2014).

 

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