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Zumbido: o que pode ser?

Um som percebido na cabeça ou ouvidos quando há ausência de estímulos sonoros no ambiente. Popularmente conhecido como zumbido, o acúfeno ou “tinnitus” é muito similar ao som de uma cachoeira, um apito, um enxame de abelhas ou até mesmo de um mosquitinho passeando nas proximidades dos ouvidos. Há ainda quem compare o som com o de panelas de pressão, conchas, cigarras, chiados em geral… Ou seja, uma coisa podemos afirmar: ele é irritante.

 

Estima-se que no Brasil 28 milhões de indivíduos das mais diversas idades sofram com a condição. No entanto, uma pesquisa publicada há pouco pela Associação de Pesquisa Interdisciplinar e Divulgação do Zumbido (APIDIZ) afirma que o número de brasileiros com o sintoma chega a 40 milhões, ou melhor, 19% de toda a população nacional. Por fim, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), ao longo do globo esse número chega a 278 milhões.

 

Conforme a American Public Health Agency, o zumbido é o terceiro sintoma, em âmbito global, que mais causa incômodo – ficando atrás apenas da dor e tonturas.

 

Mas afinal, o zumbido é uma doença?

 

Não. O zumbido é uma percepção sonora que ocorre mesmo sem a presença de um som externo. Ele não pode ser considerado por si só uma doença, mas na verdade, é um sinal de que algo não está bem do ponto de vista auditivo. Não à toa, é comum que o zumbido seja acompanhado de demais sintomas similares, como tontura, perda auditiva, enjôo, suor frio ou sensibilidade e intolerância a sons altos.

 

Esses ruídos aparecem, então, como uma consequência de problemas auditivos. Para compensar o déficit, as regiões ainda “intactas” e saudáveis do ouvido começam a trabalhar redobradamente – o que justifica a “barulheira” causada.

 

Explicando: quando saudáveis, as vias auditivas captam os sons gerados no ambiente por meio de sua vibração e os enviam, como impulsos elétricos, para o cérebro. O ruído, por sua vez, se instala quando essas viam começam a enviar impulsos mesmo sem que haja qualquer fonte de geração de som no ambiente.

 

Tanto o volume do som como o seu tipo podem variar bastante, assim como a frequência com a qual aparece. Ainda é possível que ele seja passageiro, ocorrendo apenas em determinadas situações, ou acompanhe o paciente ao longo da vida.

 

Por ser constante, a sensação auditiva causada pelo zumbido pode atrapalhar o indivíduo em diversas esferas de sua vida: com na concentração, no sono e no próprio equilíbrio emocional.

 

Agora que você já está mais familiarizado com o tema, vamos conferir quais são as principais causas que podem levar ao surgimento do sintoma.

 

Quais são as principais causas do zumbido?

 

No geral, o zumbido pode ter origem no sistema auditivo ou em demais sistemas que afetam o ouvido direta ou indiretamente.

 

Os mais comuns problemas que tem como origem o sistema auditivo são:

 

  • Perda auditiva causada pela idade;
  • Bloqueio das vias pelo excesso de cera;
  • Lesões ou infecções no ouvido;
  • Exposição a sons e ruídos muito altos, seja no trabalho ou em atividades de lazer;
  • Alterações nas estruturas (como os ossículos) da audição;
  • Neurinoma do acústico (raro tumor que afeta o nervo auditivo);
  • Doença de Mènière.

 

Já as doenças que são originadas em demais sistemas do organismo, mas que também podem afetar o sistema auditivo e consequentemente gerar o sintoma são:

 

  • Alterações gerais no metabolismo: de gorduras, de açúcares ou até mesmo déficits de complexos vitamínicos;
  • Distúrbios odontológicos, com destaque para alterações na articulação têmporo-mandibular;
  • Déficits hormonais, como nos hormônios da tireoide ou sexuais;
  • Distúrbios de origem psiquiátrica, como ansiedade, bipolaridade ou depressão;
  • Problemas na saúde cardiovascular, como arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca ou hipertensão não controlada;
  • Malformação dos vasos do pescoço ou cabeça;
  • Demais condições como traumatismo craniano, esclerose múltipla e até mesmo sequela de meningite também podem ser a causa para o zumbido.

 

São, ainda, demais condições que podem estar relacionadas ao surgimento do zumbido como sintoma:

 

  • Hábitos alimentares errôneos, como pelo consumo excessivo de açúcares, cafeína e sal;
  • Ficar longos períodos sem comer (jejum);
  • Colesterol alto ou diabetes;
  • Consumo excessivo de bebidas alcoólicas ou tabagismo (ambos podem agravar a condição);
  • Uso de determinados tipos de medicamentos, tais como diuréticos, antibióticos, quimioterápicos, aspirina, além de alguns tipos de antidepressivos e até mesmo anti-inflamatórios em excesso;
  • Uso constante de fones de ouvido (especialmente os intra-auriculares).

 

É verdade que o zumbido afeta mais o público idoso?

 

Existe uma falsa impressão de que o zumbido é mais comum na terceira idade. Na realidade, o que ocorre é que quase 90% de todos os casos do sintoma têm como causa a perda auditiva – este problema, sim, mais habitual no público idoso.

 

O som incômodo, porém, pode ocorrer em qualquer idade e em indivíduos com a audição normal ou não. Há, no entanto, uma relação com o gênero: apesar de sem explicação, o zumbido é mais comum entre as mulheres.

 

Como identificar o zumbido?

 

A grande maioria dos sons de zumbido são agudos e possuem volume variando entre 3 a 7 db (decibéis), o que é considerado razoavelmente baixo.

 

Para parâmetro de comparação, o ruído provocado pela nossa respiração (que raramente escutamos) fica na média de 10 db, enquanto o causado pelo sussurro, na média de 20 db.

 

Para alguém com a audição normal, geralmente o ruído só se torna desconfortável quando próximo de 100 decibéis (como o barulho provocado por uma moto, por exemplo).

 

O volume do zumbido, no entanto, não tem relação direta com o “tamanho” do incômodo que ele é capaz de provocar, já que o nível de desconforto costuma ser subjetivo. É comum, por exemplo, que um paciente com grau de 6 db de zumbido demore para se incomodar com o barulho, enquanto outro de grau de 3 db pode considerá-lo insuportável e mal consiga dormir em sua presença.

 

Tem como prevenir?

 

Como o zumbido não é uma doença, mas sim, um sintoma decorrente, nem sempre é possível preveni-lo. Porém, é certo que determinados hábitos são capazes de preservar a saúde auditiva, evitando então que o zumbido ocorra a partir de danos aos ouvidos.

 

Um método de prevenção é evitar usar fones de ouvido por mais de duas horas seguidas (especialmente os internos). Além disso, enquanto estiver ouvindo sons no aparelho, evite extrapolar o volume indicado como seguro pelo mesmo.

 

Outra forma de se prevenir contra o zumbido é evitando a exposição a volumes muito altos, acima de 100 decibéis. Se inevitável, use os protetores auriculares. Só para se ter uma ideia, um show possui cerca de 110 db e um avião decolando (para quem escuta do lado de fora), algo como 130 db.

 

Por fim, mas não menos importante, a prevenção não só de zumbido como de diversos outros problemas de saúde também é possível pela mudança de hábitos. Adote um estilo de vida saudável, pratique exercícios físicos (pelo menos 150 minutos por semana) e aposte em uma alimentação equilibrada. Evite o cigarro e também o consumo de bebidas alcoólicas em excesso.

 

Esses hábitos ajudam a prevenir o organismo contra a hipertensão, colesterol alto e diabetes – alguns males do século que além de perigosos para a saúde cardiovascular, também provocam o tão temido zumbido.

 

Como é feito o diagnóstico?

 

Ao ruído frequente e irritante já foram associadas mais de 200 – diferentes – causas. Sendo assim, quase sempre o diagnóstico da condição é feito por exclusão. O médico otorrino, responsável pelo diagnóstico, identificação de causas e tratamento do zumbido, começa medindo a capacidade auditiva do paciente. Exames de sangue também costumam ser solicitados para medir possíveis fatores de risco associados à condição, como diabetes, colesterol alto, hipertensão não controlada e síndromes no metabolismo. A partir de então, tudo depende.

 

Suspeita de que sofre de zumbido? Então o primeiro passo é marcar a conversa com um especialista.

 

E o tratamento? Existe? 

 

Sim. Na grande maioria dos casos o zumbido tem cura, mas como já falamos acima, é fundamental buscar ajuda de um especialista em saúde auditiva para identificar os casos que demandam investigação aprofundada, como para descartar tumores, por exemplo. Além do mais, algumas alterações hormonais ou metabólicas possuem origem no zumbido, e somente a investigação possibilitará o diagnóstico correto.

 

Sendo assim, se estiver convivendo, casualmente ou persistentemente, com o zumbido, agende uma consulta com o otorrinolaringologista. Lembre-se ainda que zumbidos persistentes ou muito altos podem prejudicar demais atividades do dia a dia. Com o tratamento correto da causa subjacente do zumbido, o paciente não só alivia o sintoma, como também permite que ele desapareça por completo.

 

O tratamento indicado, por sua vez, vai depender do diagnóstico obtido pelo médico especialista. Somente ele poderá informar qual é o medicamento mais indicado para o caso, assim como a duração e dosagem do mesmo.

 

Quando o distúrbio ocorre como sintoma do início de surdez, alguns métodos podem ajudar a aliviar o desconforto. Um deles é a terapia de habituação de ouvido, ou melhor, a TRT – Tinnitus Retraining Therapy. A técnica visa “acostumar” o cérebro com os estímulos sonoros causados pelo zumbido. Sons e músicas relaxantes também ajudam a mente a esquecer o incômodo fruto do tinindo.

 

Por fim, siga sempre a orientação médica e jamais se automedique.

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Autor: Dr. Henrique Garchet. Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (2009). Especialização médica em Otorrinolaringologia pela Santa Casa de Belo Horizonte (2012) e Fellowship em Rinoplastia Estética e Funcional pela Santa Casa de Belo Horizonte (2014).

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